Mercê de um depósito protocolado entre o Novo Banco e o Município da Guarda, o Museu da Guarda foi a unidade museal do país escolhida para acolher 5 obras de alguns dos mais icónicos pintores portugueses do séc. XX – XXI pertencentes às coleções daquela instituição bancária.

Com um espaço expositivo expressamente preparado para o efeito, Nikias Skapinakis (n.1931), José Guimarães (n.1939), e os já falecidos João Hogan (1914-1988), Júlio Resende (1917-2011) e Luís Pinto Coelho (1942-2001) passaram a estar representados nas coleções do Museu da Guarda com obras de inegável interesse para se conhecer não só a produção individual de cada um deles, mas para se entender, de certo modo, um conjunto que reflete parcialmente o que foi o movimentos da expressão plástica no período em análise.

AS OBRAS

1- A obra ‘Natureza morta XXV’ (1967) de Nikias Scapinakis, retoma um tema clássico, repensado numa síntese entre figuração e abstração. GRUTOS, Cloes, uma jarra, alguns objetos em cima de uma mesa, surgem num encontro de planos de cor, cujo eixo compositivo, ao centro da tela, se cruza com a realidade na representação estilizada de jarra com flores e alguns frutos. As formas, completamente planas, anulam a tridimensionalidade, anunciando o posterior interesse de Skapinakis pelo recorte e pelas colagens.

2- A paisagem ‘Sem título’ de João Navarro Hogan (1914-1988), foi realizada em 1968. Observador atendo das topografias da paisagem, o tema ocupa um lugar preponderante na sua obra entre os vários artistas que o influenciaram, Cézanne marca a seu modo de ver e representar a paisagem: «Cedo me interessei pela pintura de Cézanne. No seu agastamento progressivo do paisagismo realístico, através duma total simbiose ente síntese fornal e uma síntese de cor sem limites. Reduzir, não pôr a mais, foi sempre uma das minhas grandes preocupações de pintor» (…)

3- Júlio Resende (1917-2011), pinta ‘A Coladeira’ em 1994, numa fase tardia da sua produção artística, ‘A Coladeira’, género musical de Cabo Verde surge em tons luminosos, rosas, azuis turquesa, numa pincelada expressionista, forte, livre e espontânea. É um período que, segundo o próprio Resende correspondia a uma evolução cromática “sempre na busca de um colorido mais otimista, de cores mais puras, resultante de um estado mais compreensivo e tolerante das coisas da vida” (…).

4-  Um dos aspetos mãos originais e interessantes da obra de José Guimarães (1939), é o modo como estabelece pontes constantes com referências culturais de outros horizontes. A pintura ‘3 Fétiches’, realizada em 1992, evoca a inclusão pela linguagem simbólica da arte africana e pelas cores intensas e contrastantes da arte mexicana, os vermelhos e os verdes, que descobre ao longo das duas viagens. Com o próprio autor explica, ‘a sua obra não se encaixa em designações rigorosas. (…).

5- Luís Pinto Coelho (1942-2001), interessou-se ao longo da sua carreira artística pelas várias possibilidades de representação em torno de um universo figurativo. “A minha pintura pertence inequivocamente ao mundo figurativo e não recordo de ter sido tentado nunca pela abstração. A obra ‘O Papa morto’ é significativa de uma das suas preocupações como pintor, o poder de síntese e a economia de meios. Numa iconografia que convoca a influência de outros artistas com Francis Nacon ou Jorge Pinheiro (…)