Vergílio António Ferreira d’Oliveira

Nasceu a 26 de janeiro de 1916, em Melo, aldeia do concelho de Gouveia onde conclui a instrução primária. Aos 4 anos, vê a mãe e a irmã juntarem-se ao pai emigrado na América, acontecimento que irá marcar de forma indelével a sua escrita, e registado em Nítido Nulo (1971). Fica a cargo das duas tias e da avó maternas e, por interferência de um tio-avô padre, ingressa, em 1926, no Seminário do Fundão, onde permanece até 1932, altura em que vem viver para a Guarda, período da vida que retrata em Manhã Submersa (1953), a fim de continuar estudos no Seminário Maior.

A cidade altaneira irá desempenhar um papel fundamental na sua existência, pois permite-lhe encontrar-se enquanto indivíduo e dono do seu destino. Abandona o Seminário para completar os estudos no Liceu Nacional da Guarda e, em 1935, encontra-se em Coimbra, no Curso de Filologias Clássicas. Em 1942 terminado o estágio no Liceu D.João III, começa a dar aulas no Liceu de Bragança, seguindo-se Faro, Évora e, por fim, Lisboa.

Foi professor, romancista e ensaísta. Toda a sua obra literária se encontra profundamente imbuída de valores humanistas e existencialistas, e a sua produção literária reflete uma séria preocupação com a vida; faz constantes reflexões acerca do sentido da vida, sobre o mistério da existência, ou dos problemas da condição humana.

Inicia a sua longa carreira literária em 1939 com o romance O Caminho fica Longe, afirmando a corrente do Neorrealismo. É, contudo, em Estrela Polar (1962) que apresenta a dialética da condição humana e em Para Sempre (1983) a constante reflexão acerca do sentido da vida. Mas, transversal a toda a problemática da sua ficção literária está ainda o (des)entendimento entre os homens como limitação para dizer situações-limite. Vem a falecer na cidade que nunca amou, em Lisboa, a 1 de março de 1996, quando terminou a derradeira obra, Cartas a Sandra (1996), já de publicação póstuma.

Roteiro Vergiliano

1- Mata “Vejo-te na Mata da cidade, vejo-te de costas. Vais a correr com um bando de colegas por um caminho de neve, e os teus cabelos louros. (…) A mata cobre-se de neve (…).

2- Liceu“Então, quando Sandra descia do liceu. A rua corria ao lado da Sé, eu levava a carta num livro”. (Para Sempre: 66).

3- Castelo “Erro pelas ruas escuras, torcidas em suspeita, subo ao castelo raiado de horizontes”. (Estrela Polar: 29). “Decerto por isso, quantas vezes subimos ao Castelo, que era apenas uma torre quadrangular”. (Estrela Polar: 35).

4- Praça Luís de Camões “É um prédio insólito, absurdo com sete andares. Eu moro exactamente no sétimo (…).  Construíram-no na Praça, mesmo ao pé da Catedral, sobe mais alto um pouco que ela.

(…) Debaixo das arcadas, velhos vadios olham o tempo.” (Estrela Polar:15,46)

“Pusemo-nos a vaguear pelas ruas até que chegasse a hora da camioneta. Lembro-me bem de olhar com simpatia aquelas casas soturnas da cidade, comidas de velhice, debruçadas para a rua numa conversa mútua sem tempo”. (Manhã Submersa: 66).

“É uma tarde de Verão, eu passeio no largo da Sé. Pássaros negros desprendem- se dos frisos, descem em vagas, elevam-se de novo cheios de gritos.” (Para Sempre: 75).

5- Rua da Torre (Rua dos Ferreiros) “Na Rua da Torre, em frente, velhas mulheres acendem braseiras, uma memória de Inverno sobe com o seu fumo até aos beirais dos telhados”. (Estrela Polar: 77).

“Então, quando Sandra descia do liceu. A rua corria ao lado da Sé, eu levava a carta num livro. Era preciso alcançá-la antes da Rua da Torre, Sandra morava ali”. (Para Sempre: 66).

6- Rua da Fonte (Atual Rua 31 de Janeiro)

“Mas a escalada termina: dobrada a curva em ângulo recto, subimos a rampa da Rua da Fonte. E é Penalva inteira (…)”. (Estrela Polar: 14).

“A Rua da Fonte continua em linha recta a Rua do comércio, é assim uma só rua com dois nomes. (…)” (Estrela Polar: 151).

7-Rua Direita “Vou pela Rua Direita, há uma janela manuelina que me fita a olhos mortos desde há séculos”. (Estrela Polar: 72).

8- Rua do Inverno (Rua Rui de Pina) “A casa pega com um arco da antiga muralha da cidade – arco duplo, com uma face em redondo e outra em quebrado gótico: a ogiva é que dá para a casa da Aida. É uma casa velha, negra queimada dos invernos. Uma escadaria exterior sobe até debaixo de um alpendre que duas colunas sustentam”. (Estrela Polar: 59).

9- Rua da Misericórdia / Largo da Misericórdia

“Vou pela rua da Misericórdia, com a torre ao cimo de um largo”. (Estrela Polar: 46).

“À hora da missa na Misericórdia, era ao meio-dia. Nós vínhamos assistir à entrada e à saída, mas eu entrava sempre, Manaças quase sempre”. (Para Sempre: 166).

10- Rua Alves Roçadas

“Até que passámos pela Loja Azul para comprar santinhos, eu e o Gama. Lá encontrámos alguns colegas a abastecerem-se igualmente de artigos religiosos. (Manhã Submersa: 66).

11- Rua Marquês de Pombal

“Chego na camioneta com a mala, conheço a casa, é na Rua do Marquês, já lá tinha vindo com as minhas tias a combinar.” (Para Sempre: 57).

“Bato à porta, a senhora Guilhermina espreita a uma janela, é uma cidade quase deserta, imóvel na eternidade. O trinco da porta estala, eu subo uma larga escadaria de madeira”. (Para Sempre: 57).

12-Prisão

“Vou pela Rua da Misericórdia, do Marquês, passo ao Largo da Prisão, ao jardim”. (Estrela Polar: 137).

13- Quartel

“Assim o descobrimos, um pouco turvos de surpresa, eu e o Gama, quando almoçávamos numa pensão da Guarda. Tinha-se estabelecido uma carreira de camionetas que passava pela minha aldeia e perto da do meu amigo. Subimos por isso à cidade, abandonando o comboio. Gama conhecia uma pensão barata ao pé do quartel (…)”. (Manhã Submersa: 63).

“Deixamos o carro ao pé no jardim, frente ao grande edifício do quartel: o beco da estalagem do Jeremias, apertado, todo estalado de ossos, não consentia carros”. (Estrela Polar: 49).

13- Quartel

“Assim o descobrimos, um pouco turvos de surpresa, eu e o Gama, quando almoçávamos numa pensão da Guarda. Tinha-se estabelecido uma carreira de camionetas que passava pela minha aldeia e perto da do meu amigo. Subimos por isso à cidade, abandonando o comboio. Gama conhecia uma pensão barata ao pé do quartel (…)”. (Manhã Submersa: 63).

“Deixamos o carro ao pé no jardim, frente ao grande edifício do quartel: o beco da estalagem do Jeremias, apertado, todo estalado de ossos, não consentia carros”. (Estrela Polar: 49).

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